quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Mudanças...

Já fui meio moleque e no outro dia estava usando só rosa. Em seguida comecei com o preto e parti então para o colorido. Hoje não me limito mais a cores, nem estilos. Semana passada estava loucamente apaixonada, três dias depois estava lamentando a perda de tal amor e hoje estou assim, livre e solta. Eu já quis ser advogada, já quis estudar história, já pensei em ser fotógrafa. De manhã queria sair por aí e viajar, ao meio dia estava confusa e no final da tarde já estava planejando em como me matar de estudar pra passar na federal. Eu já quis só curtir a vida com alguém, já sonhei em casar e ter filhos e já quis matá-lo. Já desenhei milhões de futuros, apaguei, desenhei novamente e continuo com esses borrões de sonhos até agora. Eu mudo o tempo todo, todo o tempo. Nunca sou a mesma. Ontem poderia ter dado certo, mas hoje melhor não. Gosto de mudanças e ao mesmo tempo as temo, mas de certa forma não há nada mais delicioso do que a aventura de se descobrir diariamente. Eu posso nem sempre optar pela melhor escolha, mas tenho o amanhã para mudar e me tornar algo melhor. Porque continuar parada na mesma, pra mim, não rola.

domingo, 12 de dezembro de 2010

No sofá da minha sala...

Eu duvidaria se alguém me dissesse alguns meses atrás, porque nada daquilo tinha a ver comigo, eu não era aquele tipo de pessoa. O tipo de pessoa que se entrega a alguém, que dá sorrisos apaixonados e sente borboletas no estômago. Na verdade, até então eu não tinha acreditado. Estava tudo muito bom e eu estava me divertindo muito, mas não passava disso. Foi quando olhei pra você ali, no sofá da minha sala, que tudo mudou. Eu percebi que de certa forma você se encaixava perfeitamente ali, assim como era tudo o que faltava pra completar minha inútil vida. Senti que até então eu não me importava tanto porque nunca tinha sentido nada parecido mas que agora tudo fazia sentido, todos esses filmes bobos e essas letras de música romântica. Você sentado no sofá da minha sala, sorrindo para mim, foi a coisa mais linda que eu até então tinha visto. E as coisas não pararam aí, no visual. Porque dentro de mim algo começou a florecer e do nada eu estava me perguntando como eu teria me apaixonado, enquanto uma sensação deliciosa, única e extremamente forte me invadia. Por Deus, eu não saberia ao certo descrever o que estava sentindo, mas poderia ficar desse jeito, vendo você sorrir no sofá da minha sala, pra sempre.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Amor e Amar

Alguém, muito tempo atrás, descobriu um sentimento muito bom. Sem ter palavras pra tal sentimento, denominou-o de amor. Ainda não contente com a nova palavra, decidiu divulgá-la para Deus e o mundo, para que todos meros mortais morressem de inveja dele. Após a notícia ter se espalhado, todos os meros mortais decidiram que também eram dignos de tal sentimento e isso gerou uma grande corrida em busca desse grande “amor”.
A vontade era tanta em encontrar o tal amor que muitos, ao ver um rostinho bonito, acreditavam estar “amando”. Outros, ao encontrar alguém com quem conversar, já espalhavam pra amiga mais próxima, dizendo estar desfrutando tal sentimento. Tudo virou uma grande bagunça, pois todo mundo queria amar e muitos sofriam por nunca conseguirem sentir-se assim. O amar virou moda e acabamos por excluir todos os seus significados. Na cabeça da grande maioria, a definição de amar era sentir algo muito bom por aquela pessoa.
Mas amor e amar não se resumem a isso. São muito mais do que simples palavras, muito mais do que um simples beijo. Dizem que para cada um é diferente, que não existe definição exata e eu concordo. Você pode amar sim, mesmo sem ter o príncipe encantado ao seu lado. Nenhum garoto mágico lhe ensinará o significado do amor, pois se você esperar para isso ficará velho, sozinho e sem vida. Você estará amando se ao sair na rua parar e observar a cor do céu, a cor das árvores e sentir o perfume delicioso das flores. Vai sentir que sabe o que é o amor quando sorrir involuntariamente mesmo sozinha, só de ver um casal de pássaros cantando ou uma mãe e um bebê rindo e brincando no parque. Você será amor se souber como perdoar, souber valorizar tudo o que tem e agradecer à vida por ter sua família. Você amará quando souber respeitar as diferenças, quando aprender que o mundo não se resume somente a você e sim a um todo. Você estará se amando quando decidir que já era hora de deixar o passado pra trás, que a partir de então é hora de se valorizar e seguir em frente. E se você, depois de tudo isso, ainda duvidar da existência do amor... Aí, meu amor, só posso rezar por você.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Limpando Janelas

De certa forma costumamos criar uma imagem para cada um que conhecemos. Criamos expectativas. O normal seria trocar a imagem pelo real, depois de conhecer a pessoa. Mas no caso das pessoas que por algum motivo mexem com a gente, é diferente. É muito mais confortável viver com algo que lhe agrada, algo fora de perigo. Você diz não gostar de tal pessoa, mas já parou pra pensar os motivos disso? Talvez não, mas muitas vezes somos nós que criamos a imagem que vemos. Você acha que ela é uma coisa e é totalmente ao contrário... A janela suja por onde você costumava olhar foi limpa e você começou a ver as coisas como realmente são. E daí vem o grande problema amoroso. Não existe o príncipe encantado, não existe o cara perfeito, tudo depende de como você vê. Você pode achar, sim, o cara perfeito para você, mas o deixe mostrar isso. Não fique sonhando com isso, se torturando quando ele não tem nada a ver com o que você tanto queria. Esteja aberta para surpresas. Talvez se tratássemos todos como um igual, teríamos mais chance de ver quem realmente vale a pena se destacar. Não é questão de esperar sentada pela pessoa certa e sim de ter em mente que qualquer um pode ser esta pessoa e, a partir de então, começar a se surpreender com pessoas que você nunca imaginaria serem tão... Interessantes.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Adeus, Caro Meio

Ela já cansou de escrever textos esperando você. Já cansou de ficar se declarando ao vento, apaixonada por alguém que nunca existiu. Cansou das conversas, daquela facilidade pra arranjar alguma desculpa e a fazer acreditar que está tudo bem. Você tem razão, você não é o mau da história, porque não existe história. Se existisse, seria só ela com seu amigo imaginário. Ela criou você, assim como criou expectativas e sonhos que nunca aconteceriam de verdade. Criou um futuro que nunca aconteceria, criou palavras que você nunca diria e criou um sentimento que você jamais sentiria. Criou tudo acreditando que poderia se tornar real, milhões de vezes. Milhões de vezes você quebrou todas as suas criações, todas as suas fantasias. Milhões de vezes ela montou tudo apressadamente, deu alguns ajustes e foi correndo atrás de você. Você é o mau do mundo real, quem a deixou acreditar que estava vivendo alguma coisa, quem a fez continuar a viver no mundo de mentira. Você é a mentira, porque você não existe. Eu escrevo isso para alguém que ela inventou, não para seu verdadeiro ser. Seu verdadeiro ser conheço pouco, mas o bastante para querer me manter bem longe. Então, caro Meio, esta é a despedida. Você foi sim a pior pessoa que ela conheceu até agora, mas sei que ela encontrará muitas outras pela frente. Sei que ainda viverá muito, que você só foi uma parte pequenininha que estará bem fraca no passado dela, assim como tantas outras. Agora quem amou você se despede e não vai mais voltar. Eu diria que não adianta correr atrás, se fosse eu a pessoa que tanto acreditava no seu lado bom. Mas ela já se foi, caro Meio. Se foi lamentando por você não ter tido a oportunidade de sentir o que ela sentia. Agora ela sente pena de você. Agora ela se despede de você.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

E onde foi parar?

E onde é que foi parar? Onde é que foi parar aquela menina carismática, que só pensava em fazer o bem e era extremamente simpática? Em que lugar se meteu a pessoa que era independente, além de doce era forte, inteligente e sabia muito bem continuar vivendo após uma perda? Como foi sumir aquela que era repleta de sonhos, amigos e alegria, que estava sempre pronta pra um novo dia, que sempre tinha em quem confiar? Ó céus, devolvam-me a garotinha perdida, que depois de tanta ferida, acabou tornando-se solidão.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Móveis

Hoje cheguei em casa e, logo após abrir a porta, notei que a casa estava vazia, sem os móveis de sempre. Tinha sim a TV em um canto e uma ou outra cadeira, mas todo o resto tinha desaparecido. Os móveis muitas vezes me chateavam e não me agradavam. Muitas vezes não eram o que eu realmente queria ali, mas de qualquer forma toda vez que eu precisava vê-los eles estavam lá. Estiveram todas as vezes que abri a porta, todas as vezes que eu chegava cansada e precisava me apoiar em alguma coisa. Agora tinham ido embora, todos juntos, deixando um vazio imenso em casa. E em mim. Um vazio dolorido. Então lembrei que nem sempre foram meus. Que assim como todas as outras coisas da vida chegaram, permanceram por certo tempo e depois foram embora. E talvez seja esse o esquema: tentar não se acostumar com as coisas, porque elas um dia irão embora. Sempre vão. Então você tem que entrar normalmente em casa, fingir que nada aconteceu e, então, sair atrás de novos móveis. O mundo está cheio de móveis, muitos desses melhores que estes que abandonaram.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Despedida II

"Nunca esqueça o quanto eu te amo", ele me disse antes de sair mundo afora. Foi então que descobri que aquele era o fim e que uma grande parte de mim estava me deixando. Por mais dolorido que aquilo fosse, eu não poderia deixar de ficar me perguntando como a vida seria agora, sem ele. E tudo parecia muito perdido, sem sentido, morto. Uma vida passava por minha cabeça, a minha vida, e eu só conseguia me perguntar "e agora?". Eu me sentia incapaz enquanto o via indo embora, a procura de uma nova vida. Uma vida sem mim.

domingo, 24 de outubro de 2010

Mar de oportunidades

Olhe para frente: existem vários caminhos que você pode seguir. Sei bem que agora você só consegue ver o óbvio, uma rua bem asfaltada com cerca nos lados, mas proponho que você observe um pouco mais o mundo de escolhas a sua volta. Se você seguir reto, pela estrada asfaltada, continuará numa vida de mesmice eternamente, sempre sem graça, sempre sem grandes aventuras. Você pode, por sorte ou azar, topar com algo no caminho, mas é muito melhor quando você corre atrás das coisas. Então pule a cerca, analise um pouco o território e saia correndo a procura da vida. No caminho você pode pisar em espinhos, cair ou se deparar com monstros e afins, mas continue, afinal é assim, com desafios, que fica melhor o saborzinho de vitória. Tenho certeza que depois de uma caminhada, curta ou longa, você vai encontrar o que tanto precisa. Existe ao seu redor um mar de oportunidades, cabe a você desistir da estrada fácil e ir à luta.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Balão

Cheguei a conclusão de que não vale a pena eu ficar enganando a ele e a mim mesma quanto aos meus sentimentos. O que sinto por ele é como um balãozinho muito pequeno e com o plástico muito duro. Por mais que eu me esforce, encha meus pulmões com toda minha força e minha vontade, não consigo expandir os limites do plástico. Se eu forçar demais, o balão vai explodir, eu vou me machucar e quem estiver perto de mim também, porque quando explode o plástico machuca. E eu definitivamente não quero machucar mais ninguém.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Passado

Extremamente decepcionada. É assim que me sinto. Não sei se por você ou por mim mesmo, ou quem sabe até com nós dois. Não importa. Eu errei, você errou. Todos erramos, todos erram, e cabe a nós descobrirmos o erro e lutarmos para concertá-lo.
Pra ser sincera, creio que já não é tempo de concertar. Nosso tempo acabou, não há mais o que fazer, nenhuma palavra ou olhar pra trocar. Eu me sinto perdida as vezes te procurando, mesmo sabendo que não vou te achar. E, se eu achar, minha única reação vai ser abaixar a cabeça e seguir em frente. E abaixar a cabeça é, sim, uma maneira de demonstrar fraqueza. Eu sei que não sou a pessoa mais forte do mundo, e queria que você soubesse também que não sou totalmente fria.
Me dói profundamente você ter conhecido somente meu pior lado. A princípio, quando nos conhecemos, era ele quem reinava em mim, mas de certa forma você foi despertando um certo interesse no meu lado bom. Eu tive medo. Se tem algo que o que já vivi me ensinou, é ter o máximo de cuidado em saber quem é que pode conhecer você de verdade, em saber pra quem posso abrir as portas do meu coração. De modo que, quando você batia na porta, tentando entrar, meu instinto foi soltar os cães e acabar com tudo.
E eu senti sua falta. Sabemos que sim. Tanto que voltei atrás, e daí, quando eu estava cautelosamente esperando algum sinal de você para eu poder mostrar quem eu realmente era e o que eu realmente sentia, você se tornou frio. Deixou de ser aquele garoto carinhoso, amigável, simpático e fofo que eu conheci. Deixou as características que tanto me encantavam de lado e assumiu o mesmo papel que eu tinha no início. Eu entrei em desespero, praticamente, e fiquei durante sete dias tentando me aproximar de você. Tentei muito, juro, mas já se foi o tempo em que eu ficava muito tempo lutando por alguém. Compreendi naquele momento que, se no início você sentia algo por mim, agora era apenas por prazer. Me senti um objeto, sendo usada de vez em quando e só. Você não me procurava, praticamente não falava comigo, e naquelas duas vezes que nós nos vimos a única coisa em que você estava interessado era me beijar e sei lá mais o que.
E isso me magoou profundamente. Foi como um tapa na cara, mostrando que continuar no erro não me levaria a nada.
Poderíamos ficar nisso a vida toda, mas em um instante de alegria alguém carinhoso e sempre presente se aproximou de mim, e quando eu vi, já estava dando a oportunidade que você tanto queria pra ele.
Não foi por querer. As coisas simplesmente aconteceram, tomaram esse rumo. Por um pequeno instante, se você pedisse eu voltaria atrás. Mas pra que? O que eu ganharia em correr atrás de alguém que me julgou pelo que fiz quando estava planejando fazer o mesmo?
Eu queria que você conhecesse meu lado bom. No início fui eu quem optei em mostrar o pior de mim, mas enfim, se você gostou tanto disso, fique agora vendo meu lado mais frio, mais distante, mais estúpido, enquanto alguém que realmente gosta de mim recebe todo o carinho que sou capaz de dar.
Eu sei muito bem que grande parte das coisas aconteceram por influência minha. Mas, tenha certeza, se eu simplesmente esqueci que você existe agora é puramente porque eu me decepcionei e muito contigo, e se você acha que fazendo algo vai conseguir me afetar, está enganado.
Tudo o que eu sentia está muito bem guardado, e eu já fechei as portas, tranquei e mandei fecharem a rua de acesso a mim.
Então simplesmente adeus, e que você um dia saiba realmente o que é gostar de alguém, o que é sofrer por alguém.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

E você me faz tão bem... Sei bem que eu deveria levar em consideração as coisas ruins que já me fizeste, mas nada disso importa quando paro pra pensar. Minha vida fica vazia e eu fico me torturando o tempo todo quando você está distante, eu me sinto infeliz e nada nem ninguém consegue mudar isso. Posso esquecer um pouco toda a felicidade por um momento, achar alguém pra me distrair, mas só você consegue me fazer sentir assim. Assim... feliz, compreendida, completa. E sabe? Não espero nem quero nada de você. Só vou pedir pra continuarmos assim, sem ferimentos, somente amigos. Só vou pedir que fique aqui...

domingo, 17 de outubro de 2010

Meio

Sabe, tem vezes que pareço estar completamente curada, nem lembro quem é você e até me permito conhecer e pensar em novas pessoas. Só que em outros momentos eu começo a pensar demais em tudo e, aí, é impossível não pensar pelo menos um pouquinho em você. Eu queria te ter por perto, pelo menos como amigo. Não que eu ache que você seja uma pessoa muito legal, até porque você nunca se importou com meus sentimentos. Mas sinto falta dos conselhos que só você sabia dar, do jeito estranho que só você tem, dessa vida sem sentido. O que me incomoda é que pra você tanto faz... Eu queria poder brigar mais, queria te ofender de tudo pra poder liberar a raiva que tenho por você ter me rejeitado. Por você ter me iludido, brincado com o que eu sentia. Eu fico escrevendo os lados positivos e negativos, tentando decidir se vale a pena ou não tentar conversar novamente. Mas no fundo eu sei que não. Fico tentando achar alguma desculpa, mas sei muito bem que não vai me levar a nada. A pessoa de quem eu tanto gostava que conheci dentro de você foi se apagando aos poucos e acho que isso é o que mais me machuca.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Lados

E a cada dia aparece um novo você, sempre me surpreendendo. Surpresas nem sempre são boas, nem sempre são ruins, mas agora simplesmente não sei mais qual destes é você ou se não é nenhum e simplesmente se esconde. Primeiro eu não queria te conhecer, fugia sempre que possível. Então conheci o bonzinho, carinhoso, gentil. Este durou certo tempo, até eu ser legal também. Depois surgiu um mais quente, não tão bonzinho. Gostei desse mas nem tanto e quis me afastar um pouco. Depois eu, com meu problema em não gostar de solidão, quis voltar. Então conheci um outro você, um que tinha perdido toda a bondade, todo o carinho e toda a gentileza. Não gostei desse. Nem um pouco. Então foi a hora de nós conhecermos uma nova eu, uma que você não gostou muito. Você me odiou, com toda a razão. Não vou mais discutir quanto a isso. Mas daí você retornou e então não era nem bom nem ruim, só um meio termo. Depois foi se tornando extremamente agradável, não tanto quanto no início, mas ainda assim bom o suficiente pra me despertar um sinal de interrogação. Então acabaram com isso e me apresentaram a imagem de alguém nojento. Por vezes me pergunto se fui eu quem acabei com o garoto gentil do início, mas prefiro não acreditar nessa teoria, até porque poucas pessoas conheceram o teu lado bom que eu conheci. Agora você nojento e você legal disputam e não sei mais quem é você. Agora leia, entenda que estou escrevendo simplesmente para você e me ajude. Não quero nada, não quero você. Só quero saber quem és, porque só assim poderei saber o que estou sentindo.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Quase-despedida

É um tanto triste parar pra prensar no que está no que aconteceu, no que está acontecendo e, baseando-se nisso, tentar imaginar um futuro. Sei bem que de vez em quando fico imaginando formas em que eu poderia te perdoar, as coisas que você deveria me falar e com que intensidade me olhar. É um tanto doentio ficar se torturando o tempo todo com pensamentos que me levam até você, mas sabe, já não ando me torturando tanto assim. Eu não vou dizer que as coisas de sempre pararam de te trazer na minha cabeça, como certas músicas, certas palavras, certos toques ou certas pessoas. Mas já não é o tempo todo, por vezes fico horas e horas sem pensar em você nem sequer por um segundo. Daí alguém me pergunta como você está e eu só posso dizer que não sei. Ou digo que está morto? Eu sinto falta do que você me fazia sentir. Das coisas que você falava e que me faziam sorrir, dos conselhos que só você sabia dar. É disso. Não precisaria de mais nada além disso, nada de físico. Mas é impossível tentar ter uma conversa com alguém que, ao ver que não quero mais nada, fica usando sempre as mesmas técnicas pra me conquistar. E ei, eu entendo que você não gosta de mim. Sei disso como sei também que o que faz você insistir tanto toda vez que está me perdendo é o simples gosto pelo desafio. Não sou mais um desafio, você já desgastou o suficiente. Mas saiba que depois de um tempo vou estar curada novamente e eu sei que depois desse tempo você vai aparecer de novo. Eu demorei pra entender como seu mundo funciona e, agora que entendi, também sei como me afastar cada vez mais, sem chances de voltar atrás. Estou indo embora. Posso ser bem lenta quanto a isso, andar bem devagar e dar uma olhadinha de vez em quando... Mas você não tem mais chances de me alcançar e já vou avisando que tentar me puxar pela mão não vai me fazer parar.

sábado, 11 de setembro de 2010

Auto-suficiente

Falaram-me que eu seria infeliz se não tivesse em quem me apoiar e confiar, mas eu vou discordar. Não preciso de um ser maior me guiando, trazendo sorte e me ajudando com as coisas de que preciso. Sou suficiente para isso, posso confiar em mim. Não vou estar feliz o tempo todo, mas posso me divertir muito também. Desculpe-me, mas eu não acredito muito e não vou ficar esperando ser maior nenhum fazer as coisas por mim, arranjar um cara legal, perder alguns quilinhos ou salvar minha nota pra não pegar recuperação. Sou bem capaz e nada melhor do que eu mesma pra fazer o tanto de esforço preciso. Claro, talvez não seja tão encantador saber que ninguém vai chorar por mim quando eu cair, mas se eu ficar esperando uma mão divina descer do céu e se estender pra mim, ficarei tempo demais caída. Não acho que vai cair nenhum raio em minha cabeça por isso, mas o Deus que tanto preciso está dentro de mim, não é ninguém que eu nunca vi. É real, de verdade. Sofre, sente dor, chora, corre risco de morte. Gosto mais desse, porque se o outro é tão mais superior que eu, não deve sentir prazer nas coisas pequenininhas que tanto aprecio. Eu sou feliz assim, independente do tal ser maior. Respeito quem acredita em algo, só acho que não preciso disso. Minha religião sou eu mesma e garanto que esta erra, reconhece um erro e também sabe perdoar.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Putz, se arrependimento matasse...

Então você vem me dizer que só se arrepende do que não faz. Ah, vá contar história pra boi dormir. Eu duvido que exista alguém nesse planeta que nunca tenha se arrependido de algo que fez. Tudo bem, você pode ter nascido faz pouco tempo, mas isso não vem ao caso. Sabe, essa história é só uma frase bobinha que serve para pessoas mentalmente reprimidas. Todo mundo se arrepende, todos os dias, e não há mal algum nisso. Na verdade, se for olhar bem, até é algo bom: você está aprendendo com os seus erros, tem capacidade de perceber que pisou na bola e pode (ou não) tentar mudar as coisas. Eu me arrependo das coisas que faço. Arrepender é uma palavra bonita, assim como perdão. Você pode se arrepender de ter comido muito chocolate, de ter traído o namorado ou então de ter caído na conversa furada daquele ex, mas sabe, é hora de se tornar madura e perceber que na hora era o que parecia certo e, já que você viu que tal ato não te levou a nada, o melhor é se arrepender, aceitar e seguir em frente. Porque seguir em frente, meu amigo, é essencial nessa vida. Tudo bem, você pode ser do contra e seguir para os lados, mas de qualquer forma não progredir, ficar dando voltas ou indo pra trás são coisas não legais. Mas para concordar com o que eu falei antes, você pode, sim, não progredir, ficar dando voltas ou indo pra trás. É só depois ver que estava errada e pensar: "putz, se arrependimento matasse..."

sábado, 28 de agosto de 2010

Cinco Letras

Quem nunca viveu não vai saber, mas tenho certeza de que quem já sentiu o gostinho do quase sabe exatamente do que estou falando. A vida é feita basicamente de competições, não importa se estamos falando de conseguir uma boa posição no vestibular ou conseguir chegar ao ponto a tempo de pegar o próximo ônibus. E, sendo feita de competições, alguém sempre vai ganhar ou perder. E nem sempre ganhamos. Mas não é esse o ponto. O que quero dizer, hoje, não é de simplesmente perder. Todo mundo perde, coisas importantes ou nem tanto, todos os dias. O que quero dizer, na verdade, é do maldito quase. Quero falar da vez em que você luta, se esforça, mas não é o suficiente. E às vezes você perde por pouco pra alguém que nem sempre é melhor ou se esforçou mais que você. Às vezes simplesmente não era um bom dia. Um errinho, um pequeno deslize e você acaba perdendo o que tanto queria. Não vou dizer "acalme-se, amanhã você pode tentar novamente", ou "sei que na próxima você consegue". Vamos ser realistas: sabemos perfeitamente que nem sempre haverá uma próxima vez. Então aceite que você não conseguiu. Se você tiver mais uma chance pra tentar, tente. Não desista por causa do quase, esqueça as malditas cinco letras. Tenha mais esforço, aprenda a usar os erros para um vitorioso futuro. E se você infelizmente não tem mais chances... Aí é só esperar o tempo curar. De volta as frases clichês, mas é a verdade. Você pode substituir a perda com outras coisas. Como por exemplo um chocolate, ou, quem sabe, uma nova competição...

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Rápido

As coisas estão acontecendo rápido demais, de uns tempos pra cá. Digo... eu estava afundada em um mar denso e grudento enquanto estavas o tempo todo ali, nem perto nem longe. Estavas o tempo todo ali e por nenhuma fração de segundo eu o percebi... Então eu consigo sair do mar, não sei bem se por conta própria ou se você me deu uma mãozinha, mas o fato é que, assim que abri os olhos depois de todo este tempo imersa em profunda escuridão, a única coisa que consegui ver foi a imensidão do seu olhar. É clichê, talvez... mas é o único jeito que consigo explicar o que senti. E estou sentindo. E isso é tão errado...
As coisas estão acontecendo rápido demais e por mais que eu saiba que eu ainda tenho tempo de me impedir... Melhor deixar assim.

sábado, 14 de agosto de 2010

Quebra-Cabeça


Sabe, eu sempre fui de me apegar muito as pessoas. Já tinha tido várias melhores amigas antes, não tenha dúvida, mas você era diferente de tudo o que já tinha passado pela minha vida. São várias as características que te diferenciavam das outras. Primeiro, antes de virarmos amigas eu sempre te vi como um monstro cruel e falso e eu te odiava muito, mesmo. Segundo, você ia totalmente contra meus princípios. Terceiro, você estava sempre paquerando os meus paqueras, sem se importar se eles eram do meu passado, presente ou sonhado futuro.

Éramos totalmente diferentes, mas eu acabei gostando de você. Não sei porque: provavelmente é simplesmente porque tenho tendência a preferir coisas ruins. Não estou te chamando de ruim, mas você sabe que, para pessoas como eu, é muito mais seguro ficar longe de pessoas como você.

Aos poucos, fomos nos adaptando, até que estávamos até que parecidas. Mas essas coisas em comum eram só superficialmente: eu ainda era bobinha e você a vilã, eu ainda era frágil e você forte, eu ainda queria casar e ter filhos e você ficar com cinco caras numa noite só.

Depois que conheci novos mundos acabei me enjoando de tudo e, depois de receber inúmeras patadas, simplesmente aprendi que não era isso que eu queria e que o melhor para mim seria me afastar. Você foi difícil, no começo. Por vezes me fez pensar que não daria certo sem uma amiga me acordando de madrugada para contar coisas inúteis, ou então deixando de contar coisas importantes por ter medo da minha reação como pessoa conservadora.

Mas depois eu me acostumei. Um dia simplesmente não quis mais saber de você, te dei um chute na bunda e uma facada nas costas (para não ser tão malvada e fazer pelo menos um curativo, feliz aniversário atrasado).

Não sei você, mas algumas vezes eu realmente sinto falta dos dias que passei ao teu lado. Mas eu consigo pensar nas coisas ruins que você fez para mim e então fico bem novamente.

A intenção do texto era, na verdade, te agradecer pelo tempo que você ficou comigo. Fugi totalmente das minhas intenções, perdoe-me. Falando em perdoar, eu perdôo você. Não sei se queres meu perdão, mas de qualquer forma estou dando. Porque desde a primeira vez que eu te vi, quando eu ainda te odiava, sabia como você era. Você é assim: fria. E nem sempre isso é ruim, não estou tentando te ofender. Você sabe que é assim e pronto. Da mesma forma que eu sempre soube que pra você não teria problema me passar a perna, ficar com o grande amor da minha vida ou me largar por um garoto qualquer. Eu sempre soube mas tive esperança de que talvez você mudasse, pois nossa amizade era realmente valiosa.

Vai marcar pra sempre, pode ter certeza. Podemos nem olhar mais uma na cara da outra, mas não vou te esquecer. E eu parei de gostar de quebra-cabeças: exigem muito de mim e acho que já passei da idade para arranjar outro brinquedo. Espero que pra você esteja tudo bem: guarde suas peças em uma caixinha... Quem sabe no futuro poderemos nos reunir, tentar montar e simplesmente rir dos rumos de nossas vidas? Estou cuidando bem das minhas.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Abandonada...

Analisando tudo, cheguei a conclusão de que sou uma garota tola, burra, que merece sofrer amargamente até aprender a lição. Tive chance de fugir tantas vezes, e mesmo assim a fonte de dor me atraía. É incrível como uma boa porção de dor é irresistível para mim, ainda mais acompanhada de um par de olhos azuis, um sorriso com covinha e bochechas rosadas. É tão difícil pra mim amar alguém desse jeito, e quando o amor vem, insiste em ser logo pra coisa errada, logo com a intenção de me machucar. A cada ferida, construo um muro mais alto e mais resistente ao meu redor, e fico cada vez mais fria, mais inacessível. Porque diabos deixar eu me machucar pela mesma pessoa três vezes? Na primeira vez foi um beliscão, na segunda um tapa com direito a um soco, e na terceira foi um buraco fundo no peito, e depois ainda jogaram sal em cima. A dor que eu sinto é... Inexplicável. É como se alguém trancasse todas as minhas veias, e por mais força que eu corpo faça, não tem como o sangue circular. A qualquer momento eu posso explodir. Eu sinto o coração com toda a sua força lutando para passar o sangue, sinto o sangue sendo jogado pra frente e lançado contra uma barreira. Minha garganta fecha também, se torna seca e dói demais. Eu sinto meus braços moles pela falta de circulação, e em cada junta do corpo uma dor que cresce cada vez mais. Eu não enxergo direito, vejo tudo embaçado, e me esforço ao máximo para simplesmente entrar em um mundo que é só meu e onde ninguém vai me machucar... e me abandonar. E onde está você?

domingo, 1 de agosto de 2010

Despedida

Então mais lágrimas caíram. Os gestos robóticos voltaram e ela, automaticamente, retirou as manchas do rosto, secou a face com delicados algodões e refez a maquiagem pela quarta vez. Em pouco tempo a máscara já estava refeita e ela encarava olhos sem expressão.

Do outro lado do espelho um corpo sem vida a encarava. Ela poderia sentir a dor que crescia constantemente, querendo arrebentar sua garganta e explodir suas veias, se não estivesse tão submersa em seus próprios solidão e lamentos. Era isenta de qualquer sentimento, estando ali apenas em corpo e já não mais em alma. Quase não sentiu a pequena mão que tocou seu ombro numa tentativa de conforto.

- Vou estar aqui.

- Não será de muita ajuda se estiver chorando. Preciso do seu sorriso.

- Eu vou estar pra sempre aqui.

E no momento seguinte as duas estavam a centímetros de distância, uma encarando os olhos da outra. A pequena criatura loira soluçava, com os olhos azuis vermelhos e brilhantes. Abraçou a morena e colou os lábios na pele macia do pescoço. “É hora de ir”, sussurrou, e deu um leve empurrãozinho na outra.